As larvas de borboletas (da ordem Lepidoptera) consomem folhas, algumas espécies possuem coloração verde para se camuflar e escapar de predadores, pois são presas de aves, insetos (como vespas) e pequenos mamíferos.
A presença de insetos, como formigas pode afetar insetos herbívoros (que comem folhas), limitando sua ocorrência na folhagem (por agressão e predação) ou propiciando espaços livres de inimigos naturais para herbívoros.
Formigas são consideradas predadoras de larvas de borboletas. A construção de abrigo, feito com material vegetal, fezes ou fragmentos é estratégia que algumas larvas usam para limitar o acesso das formigas quando as larvas são detectadas, aumentando a sobrevivência da larva na presença de formigas. Outras larvas constroem “pontes” feitas de fezes e seda na margem das folhas, permanecendo sobre ela quando não estão se alimentando.
Outras estratégias de defesa usadas pelas larvas são: morder, debater, regurgitar, e/ou atirar se da folha permanecendo pendurada sobre um fio de seda; têm propriedades químicas no corpo da larva que resultam do seqüestro de substâncias do metabolismo secundário das plantas hospedeiras; há camuflagem (química) onde os sinais químicos utilizados pelas larvas se tornam tão específicos que as formigas reconhecem as larvas como se fossem outras formigas; além de possuir cerdas, espinhos (escolos) e glândulas especializadas que secretam substâncias nocivas a predadores e parasitas.
Algumas Lepidópteras conseguem conviver com formigas como simbiontes, sendo defendidos ou alimentados como um membro da colônia, essa relação chama-se mimecofilia, que ocorre devido habilidade desses simbiontes em mimetizar sinais químicos, morfológicos e/ou comportamentais. As formigas recebem secreções nutritivas produzidas por glândulas especializadas, e em contrapartida as larvas recebem proteção contra predadores e parasitóides.
Sinais químicos e visuais causados pela ingestão das folhas podem ser úteis na localização de insetos, pois as plantas quando consumidas liberam compostos que atraem insetos predadores de herbívoros quimicamente orientados. E sabendo que predadores visualmente orientados, como aves podem reconhecer marcas de herbivoria para a localização de larvas em folhas; resolvemos testar as seguintes hipóteses:
Os animais que consomem lagartas (larvas de borboletas) utilizam as folhas como sinais de herbivoria, pois esse sinal pode ser um indicativo de que ali há alimento, ou se para eles não há diferença entre folhas com herbivoria e folhas intactas. Também testamos se os animais teriam alguma preferência por larvas verdes, ou se a cor das larvas não influencia.
Grupo confeccionando o material para o experimento.
Nosso experimento foi realizado na reserva de aproximadamente 7,0 hectares de mata nativa, secundária, que apresenta características da fauna e flora encontrada na Mata Atlântica, denominada Mata da PUC, no Campus Coração Eucarístico.
Foto da matinha
Prendemos modelos de larvas de aproximadamente 03 cm, feitos com massa de modelar (atóxica) em folhas com herbivoria, seja ela natural ou simulada, e sem herbivoria. Todas as larvas eram verdes, porém a chuva as lavou retirando a tinta ( atóxica ) nos dando larvas de cores diferentes. Foram colocadas 40 larvas com uma distância de 5m entre uma planta e outra, em ambos os lados da trilha a direita da Santa, ficando 2 modelos em cada planta, um em uma folha intacta e outra em folha com herbivoria, num total de 20 plantas , durante 02 semanas.
Foto do modelo da larva
Os ataques das aves foram observados através de marcas de bicadas com sulcos retos e profundos. Os insetos deixaram perfurações menores.
Foto do modelo predado em uma folha com herbivoria.
Vimos que 63,16% das larvas presentes nas folhas intactas sofreram algum tipo de predação; e que 62,5% das larvas em folhas com herbivoria natural ou simuladas, também sofreram predação.


Então concluímos que o sinal de herbivoria não funciona como pista para a localização das larvas de borboletas por predadores em busca de alimentos. E que as cores das larvas também não influenciam na predação.
Para saber mais:
GUERRA, TADEU JOSÉ – Acor branca da folha nova influencia a predação de herbivoria críptica?EFA 2006.
GUERRA, T.J. (2006) A cor branca de folhas novas influencia a predação de herbívoros crípticos? Em: Livro do Curso de Campo “Ecologia da Floresta Amazônica” (Machado, G. & Camargo, J.L. ed.). Manaus: INPA/PDBFF. Publicação online: http://pdbff.inpa.gov.br/cursos/efa/livro/2006/pdfs/pftadeu.pdf
MUNIM, ROBERTO LOBO – A herbivoria foliar serve como pista para predadores de larva de Lepidóptera?
FILHO, ONILDO JOÃO & MARTINS, ROGÉRIO PARENTONI – 22. Ciência Hoje. vol.27. nº 160. Maio de 2000.
KAMENSKI, LUCAS A.; SENDOYA, SEBASTIÁN F. & OLIVEIRA, PAULO S. Ecologia comportamental na interface – planta herbívora: interação entre formiga e lepidópteras. Oecol. Bras.,13 (1): 27-44, 2009.
Bernardo F. Domenici; Guilherme C. Conrado; Henrique C. Rennó; Jaqueline de O. M. Marcelino; Marli Resende; Tatiane G. de A. Pires
Orientador: Tadeu José de Abreu Guerra



