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Relação entre a média de vida da borboleta Heliconius erato e suas estratégias de defesa. Quanto tempo vive uma borboleta?

Resumo: Este artigo discute a média de vida da espécie de borboleta Heliconius erato bem como suas estratégias de defesa para afastar seus predadores. Estudo mostra que as formas de defesa que essa espécie utiliza podem lhe conferir maior tempo de vida.

 As borboletas são insetos que pertencem a ordem dos Lepidópteros (do grego lépido,"escama",e ptero,"asa"), a espécie estudada pertence a família Heliconiidae,a mesma família das borboletas Pingos-de-prata e a Maria-boba.
Conhecida popularmente como castanha-vermelha, a borboleta Heliconius erato compõe a fauna existente da mata da PUC-Minas. É uma borboleta típica de regiões tropicais, comumente encontradas em ambientes ensolarados, e ampla distribuição na América do Sul, desde o nordeste até o sul do Brasil, Bolívia, nordeste da Argentina, Uruguai e América Central.
Sua lagarta é espinhos e se alimenta das folhas dos maracujazeiros. Pode ocorrer na falta de alimento canibalismo entre as lagartas. Quando adulta alcança cerca de sete centímetros de envergadura das asas.
Durante o dia voam sobre as flores em busca de néctar e de pólen, são, portanto, polinizadoras de várias plantas. Dessa forma são importantes para o processo reprodutivo de alguns vegetais. Além de participarem da reprodução de algumas angiospermas possuem cores exuberantes, se destacando de forma muito bela nos locais onde habitam. Suas cores, porém não representam apenas beleza, mas sim uma estratégia de defesa contra predação, elas estão dizendo “Não me comam tenho gosto ruim”. O predador que comer essa borboleta uma vez aprenderá que ela não é saborosa e não tentará preda-la novamente.
 No período noturno não são ativas, se agrupam em locais seguros, retraem suas asas e não se movem. Essa imobilização é o que lhe garante maior segurança contra os predadores.
   O conhecimento sobre a média de vida de uma borboleta é escasso e muito controverso. Neste trabalho serão discutidos o tempo de vida da borboleta e suas estratégias de defesa, tendo como base os estudos realizados na Matinha da PUC-Minas.
Para dar inicio ao experimento delimitamos um transecto de 121 metros, seguindo o lado esquerdo a partir do tronco caído na trilha onde acreditávamos ser o dormitório da espécie.
  Utilizamos um dos métodos mais eficientes no estudo de população, o método de marcação e recaptura, onde semanalmente os exemplares eram coletados e devidamente marcados. Ao todo foram realizadas seis saídas de campo, em um período de 58 dias, durante as aulas praticas de Ecologia I.
Com o auxilio de um puçá e uma caneta hidrográfica, as borboletas eram marcadas e devolvidas no mesmo local de captura. Elas iam embora e se misturavam com as outras borboletas não marcadas.
Na semana seguinte eram capturados e marcados novos exemplares e esperado recapturar os indivíduos já marcados, para se calcular o tempo mínimo de vida.
Ao final do experimento, obtivemos um total de 13  capturadas e 4 recapturas. Representadas na tabela abaixo:
Data
Exemplar
Exemplares Recapturados
06/set
1

13/set
2

20/set
3
*
20/set
4
*
20/set
5

20/set
6

20/set
7

20/set
8

20/set
9

04/out
10
*
18/out
11

18/out
12

18/out
13

03/nov
9
*
Tabela 1 : Esquema de exemplares capturados e recapturados

Fazendo uma média destes dados com o tempo de pesquisa, chegamos à conclusão que a borboleta Heliconius erato, tem o tempo de vida mínima de 45 dias. Comprovado através do exemplar nove da pesquisa. Esta borboleta em questão foi capturada no dia 20/09 e recapturada no dia 03/11.
 Notamos que em dias frios, mesmo nas áreas próximas ao dormitório, a captura era menor em relação aos dias calorosos. As temperaturas mais baixas diminuem o metabolismo das borboletas, por isso elas não costumam sair.
Uma importante característica apresentada pelas borboletas no momento de captura é que elas regurgitavam ou liberavam pelo ânus, uma substância amarela com odor muito forte. Quanto mais manipulada mais forte o cheiro. Acreditamos ser um eficiente modo de defesa coletivo, onde uma borboleta adverte as outras sobre um possível perigo. As borboletas, tanto as Heliconius Erato como outras especies presentes na matinha, sumiam ao sentir o odor e demoravam cerca de 20 minutos para começarem a reaparece.


Figura1: Detalhe da secreção de odor forte na parte inferior do corpo da borboleta.Por Cristiane Machado.


Outra estratégia de defesa na qual essa borboleta utiliza é o mimetismo, onde indivíduos de uma espécie possuem características que os confundem com outro grupo de organismo com o objetivo de proteção contra predadores. O tipo de mimetismo usado pela Heliconius é o mimetismo Mulleriano onde um ser impalatável imita outro ser impalatável.  
                             

Figura 2: Borboleta Heliconius erato por Blenda Emilliane.


Alguns animais se adaptaram ao mimetismo para parecerem mais fortes ou mais perigosos aos olhos de seus predadores. Ao invés de se esconderem de seus predadores, essas espécies causam um sinal de alerta aos mesmos, por vezes os ‘alertando ‘ de que não podem ser boas presas.
O mimetismo Mulleriano na qual a espécie em estudo pertence propõe que a semelhança no padrão de cores de asas de borboletas reduziria a predação em cada uma das espécies que estariam ‘ se imitando’, como sugeriu MÜLLER, formando um anel mimético.
Ao longo de sua distribuição a H. erato participa de vários anéis miméticos, entre eles com a espécie Heliconius melpomene.No estudo que realizamos na Mata da PUC MINAS, o mimetismo não acorre na espécie porque ela se encontra sozinha , sem as outras espécies que juntas formariam um anel.


                                               

Figura 3: Anel mimético das espécies onde H. erato se encontra.


 
Concluímos que a espécie de borboleta H. erato possui significativa representação na mata-pucminas, pois é uma espécie modelo para estudo de ecologia. Que esta espécie possui muitas estratégias de defesa lhe garante maior tempo de sobrevivência. Com este estudo também foi possível descobrir o tempo mínimo de vida da espécie.

Referencias Bibliograficas
Woodruff W. Benson,Natural Selection for Mullerian Mimicry in Heliconius erato in Costa Rica
Machado M, Serrano J, Araujo AM e Galian J.,RELAÇÕES FILOGENÉTICAS E EVOLUÇÃO DO MIMETISMO MÜLLERIANO
EM ESPÉCIES DE CHAULIOGNATHUS (COLEOPTERA: CANTHARIDAE) DO
COMPLEXO "AMARELO-PRETO".
Salgado Neto, Geraldo LEPDOPTEROS DO BRASIL
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mimetismo ACESSO EM NOVEMBRO DE 2011

Blenda Emiliane; Cristiane Machado; Isadora Cunha; Mariana Brandão, Rafael Rossini