Trabalhador mais antigo da Pontifícia Universidade Católica de MG – Coração Eucarístico
a). Há quanto tempo o Senhor trabalha na PUC?
R.: “Há 41 anos”.
b). O Senhor desempenha alguma função que esteja diretamente ligada à Matinha?
R.: “Sim. No geral nós cuidamos de tudo. De todas as áreas verdes, sou paisagista. Nós tomamos conta de tudo, inclusive do plantio, da manutenção, é conosco. Nós já plantamos algumas espécies e continuamos plantando outras. Cuidamos da mata, precisamos preservar sempre. Evitar depredações, incêndios. Todo esse tempo, graças a Deus, não tivemos nenhum problema com a mata. Temos que preservar e tentamos manter toda uma margem de cuidado. Temos uma parte nativa e a outra parte nós plantamos na década e setenta. De espécies nativas nós temos: jacarandá, jacaré, angico, aroeira, palmeira leque, cedro, gabiroba, tambaú, araçá, gueroba, cajá-manga, bauínia, sete casca, ipê amarelo, ipê roxo, jacanara, embaúba, sangra d’água, canela, quaresmeira roxa. Temos outras, mas estas são as que mais se destacam”.
c). Qual sua visão em relação à Mata para a Universidade? O Senhor acredita que é importante preservar ou seria melhor desmatar para construir novos prédios e favorecer o “crescimento” da Universidade?
R.: “É muito importante. Temos que preservar, conscientizar a todos. O homem tem que preservar a natureza. Está faltando conscientização. Ontem mesmo estava vendo uma reportagem de um rio assoreado, todo cheio de dejetos e impurezas, trazendo transtornos pra toda a população. Está muito a quem da necessidade da cidade. Em minha opinião, temos que cuidar”.
d). O Senhor saberia nos dizer, como se deu a ocupação da Matinha? Quando foi que ela se tornou parte do território da Universidade?
R.: “Desde a época do Seminário Coração Eucarístico de Jesus já era área de preservação. A encontramos e preservamos, até para mais, pois plantamos. Quem não sabe até acha que toda a mata é nativa, mas foi plantado posteriormente”.
e). O que o Senhor poderia nos dizer sobre a questão do lixo e da conscientização (ou falta dela) em relação à conservação da Mata?
R.: “Isto é até difícil, um pouco vago. Não temos como controlar cem por cento. Anteriormente era fechado, da Prefeitura. Praticamente ninguém tinha acesso. Hoje é da Pro – reitoria. O curso de Ciências Biológicas também faz parte, ajudando na preservação. Prestam um serviço muito bom. Não temos condição de fazer o monitoramento o tempo todo. Nos finais de semana fazemos mutirões de limpeza. Ainda existem pessoas que moram no entorno que jogam lixo. Com a ajuda da Prefeitura, poderíamos monitorar de forma mais eficaz. Tentamos sempre conscientizar, mas o recurso ainda é pouco”.
f). No início de 2009 foram realizadas algumas obras na Universidade e a Matinha estava servindo como local de estocagem desses materiais. Esse fato gerou algum impacto/polêmica?
R.: “Não. Depois foi tudo limpo, com todo cuidado. Não trouxe transtornos. Foi uma época em que estávamos sem local pra colocar os materiais de construção. Hoje temos um prédio para guardá-los. Quando finalizamos, reciclamos alguns materiais e fechamos o portão. Não ha mais nada que possa atrapalhar o meio ambiente”.
g). Qual a sua opinião, em relação à importância da Matinha em contexto geral?
R.: “É o pulmão da população. Nós belo-horizontinos podemos contar as áreas verdes. Um bosque como este; temos privilégio. Trabalhar em um lugar onde podemos respirar oxigênio puro. Devemos agradecer a Universidade e a Deus”.
h). Como é a valorização da Mata por parte dos alunos e funcionários da Universidade?
R.: “Os funcionários valorizam muito, e os alunos acredito que seguem o mesmo princípio. Tem esta oportunidade e se preocupam. E os professores também”.
i). Destaque os principais pontos negativos e positivos da Matinha ontem e hoje:
R.: “Só pontos positivos. Nós temos oxigênio mais puro e temos que agradecer”.
j). Fazendo uma projeção, como o Senhor imagina a Matinha daqui a 50 anos?
R.: “É provável que as árvores tenham crescido mais, que a mata esteja mais densa. Com o tempo as mudas vão crescendo, e é o que esperamos. Daqui a quarenta, cinqüenta anos, que elas estejam com o dobro de altura e quantidade”.
k). O Senhor teria algum caso para nos contar, sobre algum acontecimento envolvendo a Matinha, que tenha sido marcante de alguma forma?
R.: “Tenho sim. Foi em 1987. A Copasa começou a construir uma rede de esgoto na Rua Padre João Lombardi. Nós tínhamos duas lagoas, hoje somente uma. Com o rebaixamento das galerias na Avenida Ressaca e na Via Expressa, o lençol freático abaixou e perdemos a nascente. Ainda temos a primeira barragem, que mantém a água, a segunda só um anteparo para quando vem a chuva, manter o rejeito das enxurradas. A Copasa estava construindo, e eu cheguei e paralisei; identifiquei o responsável. Temos uma rede que atravessa todo o espaço da Universidade e faz a coleta do outro lado da rua. Quando o engenheiro disse que ligaria o esgoto na caixa externa que a Universidade construiu, eu não deixei. Disse que se ele ligasse eu fecharia a rede interna. Depois de algumas negociações entre a Copasa e a Reitoria, a Prefeitura liberou uma pessoa para determinar onde poderia passar a rede, interligou e acabou o problema. Contaminaria a nossa lagoa. Temos o curso de Ciências Biológicas que usa para fazer experimento. Seria um agravante”.