O termo população é empregado na ecologia para um conjunto de indivíduos, que podem ser animais, plantas, fungos, bactérias ou quaisquer outros seres vivos, da mesma espécie que ocupam uma área determinada. Uma população apresenta características próprias como, a natalidade, ou seja, o número de indivíduos que nascem em um tempo determinado, a mortalidade, que é número de indivíduos que morrem em um tempo determinado, a distribuição, ou seja, como os indivíduos se distribuem em um determinado espaço, e a densidade.
A densidade é um aspecto populacional que muitas vezes é imprescindível para o estudo das populações. Ela é calculada através da relação entre o número de indivíduos ou biomassa, peso dos indivíduos, e uma unidade qualquer de área, que pode ser dada em metros, quilômetros ou hectares, ou uma unidade qualquer de volume, que pode ser dado em centímetros cúbicos, metros cúbicos e quilômetros cúbicos, por exemplo. Normalmente, para se estudar populações de plantas a população é estimada em biomassa e as populações de animais em número de indivíduos.
Os lagartos foram considerados por muito tempo animais modelo para estudos ecológicos por uma série de fatores, só existem três espécies de lagartos venenosos no mundo, o Monstro de Gila e o Lagarto de Contas da América do Norte e o dragão de cômodo. Os demais, embora possam morder e dar caudadas, não são capazes da causar injúrias graves. Nas áreas onde ocorrem normalmente se encontram em grande número, existem técnicas simples e de baixo consto para pegá–los e normalmente não se importam com a presença de um observador a poucos metros de distância.
Dentre as diversas espécies de lagartos encontradas em Minas Gerais uma das mais comuns é o Tropidurus torquatus, conhecido popularmente como calango. Este réptil de porte médio chega a medir 35 centímetros e se alimenta de pequenos animais e algumas plantas. Para capturar suas presas fica parado esperando que elas passem por ele e quando elas estão bem próximas atacam rapidamente. Os tropidurídeos são encontrados em toda a América do Sul e nas ilhas Galápagos.
Através da densidade, vários aspectos da dinâmica populacional podem ser abordados. Por exemplo, onde existem mais calangos, no interior ou na borda de uma mata? Como estes animais têm o habito de se esquentar ao sol, diferente de nós, sua temperatura varia com a temperatura do meio, espera-se que na borda existam mais lagartos, pois ela é contemplada com mais sol. A maneira mais simples de descobrimos é comparar a densidade de lagartos presente nas duas partes. Para isso 26 parcelas de 300 metros quadrados foram escolhidas, 13 na borda e 13 no interior da mata, de maneira aleatória. Os lagartos encontrados nas parcelas foram contados e através de um cálculo simples dado pela razão entre a área, 300 metros, e número de lagartos encontrados foi obtida a densidade de lagartos de cada parcela. A média das densidades dos dois ambientes foi calculada e para compararmos as duas foi elaborado o seguinte gráfico:
Sobre os resultados apresentados no gráfico corroboram a hipótese inicial, existem mais lagartos no bordo que no interior da mata, e nos mostram como o cálculo da densidade nos permite tirar conclusões sobre vários aspectos ecológicos das populações.



